O PRIMEIRO PROJECTOR DE ESTRELAS
DO
PLANETÁRIO
(1965-2004)

A 20 de Julho de 1965, foi inaugurado um centro científico e cultural, integrado no Museu de Marinha, na tão emblemática zona de Belém, denominado Planetário Calouste Gulbenkian. Assim se satisfazia uma das aspirações dominantes da Sociedade Astronómica de Portugal, fundada em 1917, como se tornava realidade o antigo sonho de um Oficial de Marinha e brilhante astrónomo-amador, o Comandante Eugénio Conceição Silva. Com o seu espírito inventivo e meticuloso, decisivamente contribuiu para a instalação de um moderno aparelho de projecção astronómica numa sala de cúpula semi-esférica, semelhante a muitas outras infra-estruturas que começaram a ser construídas nas principais capitais europeias, permitindo visualizar as estrelas, em qualquer lugar e qualquer tempo. Um magnífico instrumento didáctico ao alcance de todos, permitindo desse modo uma ampla divulgação da ciência astronómica a um povo com uma tradicional vocação de navegadores e descobridores.

 

O projector escolhido foi o modelo UPP 23/4 da pioneira Carl Zeiss Jena, um aparelho óptico-mecânico fisicamente constituído por um corpo cilíndrico com duas grandes esferas, em ambas as extremidades. No interior de cada uma delas estava instalada uma lâmpada de tungsténio de 1000 W, rodeada de 8 lentes semi-esféricas. Na face plana destas, um filtro opaco com orifícios micro-perfurados, permitia a passagem da luz, conseguindo simular, com grande beleza, um céu imaculadamente estrelado, com cerca de 7200 estrelas, quando à vista desarmada e nas melhores condições de visibilidade o máximo avistado seria 6000 estrelas. No corpo cilíndrico situavam-se projectores para os planetas "errantes", Sol e Lua com movimento anual aparente, em conjunto ou independentemente do movimento "diurno" da esfera celeste. Representação da Via Láctea, Estrelas Variáveis (Cefeides e Binários de Eclipse), Nuvens, Cometa de Donatti de 1858, bem como linhas didácticas de referência para representação do Equador Celeste e Eclíptica, Paralelos e Meridiano do Lugar, Vertical Primário, Círculo de Declinação do Astro e Paralaxe da Estrela Sírius; Projecção dos nomes latinos das 88 Constelações de ambos os Hemisférios Celestes, com destaque das Constelações Zodiacais. Este conjunto efectuava a simulação dos vários movimentos do nosso planeta - Rotação, Translação e Precessão. Também a variação em Latitude permitia viagens à superfície da Terra, do Pólo Norte ao Pólo Sul, observando assim outros aspectos do céu não visíveis em Portugal.

Ao longo de 39 anos de actividade ininterrupta (tendo mesmo ultrapassado o limite da vida útil estabelecido pelo fabricante) e embora mostrando já evidentes sinais de cansaço, exibiu um magnífico céu estrelado para cerca de 3 milhões de espectadores!

Constituindo património cultural da Marinha, actualmente, o "velhinho" projector goza merecido descanso em lugar de honra na Galeria do Planetário, onde continua a ser olhado com a admiração e respeito a que sempre esteve habituado.

 

 

 

 

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