O OBSERVATÓRIO
ASTRONÓMICO
DO PLANETÁRIO CALOUSTE GULBENKIAN

"Muito embora possam ser variadas as sessões de
vulgarização dadas com um planetário, essas
sessões tem forçosamente de ser repetidas ao fim
de um tempo relativamente curto, acabando por perder, em parte,
o interesse para o público em geral. Por outro lado, as
sessões de carácter puramente artificial dadas num
planetário, despertam o desejo, que por experiência
própria, tenho verificado que existe em grande número
de pessoas, de poder observar directamente e ao natural os fenómenos
e os astros que o planetário artificialmente reproduz ou
lhes mostrou.
Creio assim
que, conforme já se faz nalguns planetários existentes
noutros países, ao planetário propriamente dito
deve ser associada, para trabalhar em conjunto com ele uma pequena
instalação de observações astronómicas,
na qual se possam mostrar ao público algumas curiosidades
celestes de maior beleza e fácil observação
"
(Excerto do relatório
elaborado pelo Comandante Conceição Silva, quando
da sua visita à fábrica ZEISS em JENA, em Junho
de 1963)
É precisamente nesta linha de pensamento, que em Outubro
de 1968, o arquitecto Frederico George executa o projecto do Observatório
Astronómico - Anexo ao Planetário, integrado no
conjunto do Museu de Marinha.

Esta construção,
edificada em 1972, com uma área de 72 m2, com uma sala
de observações, de cúpula giratória
em cobre, revestida interiormente por aglomerado de cortiça,
incluía ainda um átrio, uma sala de reuniões/biblioteca,
uma câmara escura e as instalações sanitárias.
O Observatório estava
munido de uma Luneta Equatorial REPSOLD de 120mm f/15 (fabrico
alemão) que a Faculdade de Ciências da Universidade
de Lisboa havia cedido ao Planetário, por solicitação
do então Director, Comandante Conceição Silva.
A luneta de grande beleza
e valor histórico, encontrava-se incompleta e foi reparada
e beneficiada em oficinas da Marinha. Mais tarde, foi devolvida
à F.C.U.L. (Museu da Ciência) onde se encontra em
exposição. Actualmente, existe no Planetário
uma réplica da mesma.

Após alguns anos de
inactividade, devido não só ao mau estado de conservação
do edifício mas também à obsolescência
do equipamento, foi possível no ano 2000 levar a cabo obras
de restauro.
A recuperação
do Observatório, que passou a denominar-se OBSERVATÓRIO
COMANDANTE CONCEIÇÃO SILVA, tornou-se possível
graças à parceria estabelecida entre o Planetário
e a Associação Portuguesa de Astrónomos Amadores
(APAA), com o apoio do Ministério da Ciência e Tecnologia.
Concretizou-se assim, em
Março de 1999, um protocolo entre a Marinha - Planetário
Calouste Gulbenkian e a Associação Portuguesa de
Astrónomos Amadores com vista à instalação
de equipamentos de observação astronómica
pela APAA, para utilização dos associados. O equipamento
montado no Observatório é um telescópio Schmidt
Cassegrain LX200 de 8 polegadas. Embora a localização
do edifício não permita a observação
de um céu bem escuro, com a tecnologia dos actuais CCDs,
a poluição luminosa deixou de ser um obstáculo.
Actualmente, a APAA realiza sessões de observação astronómica com carácter periódico, em princípio, todas as 1.ªs sextas - feiras de cada mês, às 21:30 horas.
